O senador Carlos Viana (Podemos-MG) voltou a movimentar o clima político em Brasília nesta quinta-feira (27). Ele anunciou que o projeto que revoga trechos da Lei 14.197/2021, aquela que trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito, finalmente alcançou o número mínimo de assinaturas para ir direto ao Plenário do Senado. Viana, que hoje preside a CPMI do INSS, vem defendendo essa mudança há meses, alegando que a legislação atual abriu espaço para interpretações distorcidas e até exageradas — palavras que ele mesmo repete com frequência nas entrevistas.
Na quarta-feira (26), o senador já tinha apresentado um pedido de urgência para acelerar a tramitação do PL 5977/2025. O texto mexe justamente nos dispositivos da lei que foram usados como base nas condenações dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, episódio que ainda rende debates acalorados nas redes sociais e no próprio Congresso.
Segundo o senador, a proposta não é apenas um ajuste técnico, mas uma revisão necessária para evitar o que ele chama de “insegurança jurídica”. Ele afirma que os artigos da Lei 14.197 acabaram sendo aplicados de maneira ampla demais, o que teria aberto margem para penas desproporcionais e, em alguns casos, interpretações sem consenso nem entre juristas.
O ponto mais sensível, porém, é outro: a eventual repercussão sobre processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns aliados do governo e da oposição já admitiram, nos bastidores, que o texto pode sim impactar condenações recentes e até julgamentos futuros. Isso, claro, acendeu alertas e polarizou ainda mais a discussão — como se o ambiente político brasileiro já não estivesse suficientemente carregado em pleno 2025.
Aliados do próprio Viana afirmam que ele vem costurando conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para garantir que o projeto seja votado rapidamente. A intenção é aproveitar o “embalo” das 58 assinaturas, um número que o senador compartilhou com entusiasmo nas redes. Se o regime de urgência for confirmado sem resistência, o texto pula etapas e segue direto ao Plenário, algo que agrada — e muito — quem está com pressa de ver a legislação revisada.
Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), Viana comemorou o avanço. Ele escreveu, com um tom meio de desabafo e meio de celebração:
– URGENTE! 58 assinaturas. Fim dos exageros. Esse é o número oficial registrado hoje no requerimento de urgência do PL 5977/2025 no Senado Federal. O Senado reconhece a importância de revisar dispositivos da Lei 14.197 que geraram insegurança jurídica e interpretações questionadas por especialistas e pela sociedade.
O senador seguiu na mesma linha em outro trecho, dizendo:
– O objetivo é restabelecer clareza, limites e precisão no texto legal. Com o apoio consolidado, o requerimento segue agora para os próximos passos regimentais e deverá ser apreciado pelo Plenário com a celeridade que o Brasil espera. A esperança está viva!
Essa frase final — “a esperança está viva” — acabou viralizando entre apoiadores do senador, enquanto críticos ironizaram a pressa do Congresso em revisar legislações tão sensíveis. Mas, como costuma acontecer em Brasília, tudo indica que a disputa agora será menos sobre técnica jurídica e mais sobre narrativa, impacto político e as próximas eleições municipais, que já estão movimentando o cenário.
De qualquer modo, com assinaturas garantidas, pressão pública e negociações internas, o PL 5977/2025 deve entrar no radar do Plenário mais cedo do que tarde. E, como já tem virado rotina no país, a discussão promete ser quente — com longos discursos, trocas de farpas e muitas transmissões ao vivo para as redes. Afinal, em 2025, nada passa despercebido no tribunal da internet.