DPU recomenda suspensão de “devoluções” de pessoas em rodoviária de SC

Florianópolis e a Polêmica das ‘Devoluções’ de Pessoas em Vulnerabilidade

A Defensoria Pública da União (DPU) se manifestou recentemente sobre uma situação que gerou bastante controvérsia em Florianópolis, a capital do estado de Santa Catarina. De acordo com informações divulgadas pela DPU, a prefeitura da cidade estaria realizando uma triagem de passageiros na rodoviária local, prática que foi considerada inconstitucional e discriminatória. O prefeito Topázio Neto, do PSD, afirmou que a administração municipal tem enviado de volta para suas cidades de origem pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade, ou seja, sem emprego ou moradia.

A Triagem na Rodoviária

Essa triagem estava sendo feita em um posto avançado da Secretaria de Assistência Social, que foi instalado no Terminal Rodoviário Rita Maria. O prefeito, em declarações feitas no dia 2 de novembro, revelou que mais de 500 pessoas já haviam sido devolvidas aos seus municípios de origem. A DPU, por sua vez, deu um prazo de 10 dias para que a prefeitura apresentasse dados sobre essas ‘devoluções’. As informações requisitadas incluem uma lista das pessoas enviadas, suas cidades de origem e destino, as datas de chegada e partida, além dos custos das passagens e a fonte dos recursos utilizados para esse procedimento.

Direitos Humanos em Questão

A DPU, em sua argumentação, ressalta que essa prática realizada pela prefeitura é, além de inconstitucional, uma violação dos direitos humanos. A Constituição Federal do Brasil assegura a qualquer pessoa, seja brasileira ou migrante, o direito de se locomover livremente pelo território nacional. Portanto, a ideia de que alguém possa ser pressionado, ou até mesmo ameaçado, a aceitar ser devolvido para sua cidade de origem pode ser interpretada como crime de constrangimento ilegal.

No documento enviado à prefeitura, a defensora regional de direitos humanos em Santa Catarina, Mariana Döering Zamprogna, defende que o município deveria custear passagens apenas quando a pessoa manifestasse espontaneamente e de forma clara a vontade de voltar para sua cidade natal. Ela ainda recomenda que a administração municipal de Florianópolis assegure acolhimento e serviços de assistência social para a população vulnerável.

Reações e Implicações

O envolvimento da DPU nesse caso não é apenas uma questão legal, mas também moral. A situação levanta reflexões sobre como as cidades lidam com a questão da pobreza e da vulnerabilidade social. O prefeito Topázio Neto se defende, afirmando que suas declarações e ações visam manter a ordem e evitar que Florianópolis se transforme em um ‘depósito de pessoas em situação de rua’. No entanto, a DPU discorda, enfatizando que é fundamental que os serviços de assistência social sejam acessíveis e acolhedores, proporcionando apoio e orientação a aqueles que buscam melhores condições de vida.

Um ponto importante a ser lembrado é que não existe controle de fronteira entre municípios no Brasil. Portanto, a remoção compulsória de pessoas em situação de rua é proibida por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso significa que a abordagem da prefeitura pode não apenas ser vista como antiética, mas também como uma violação de normas legais que garantem a liberdade de circulação.

Considerações Finais

Essa polêmica em Florianópolis serve como um alerta sobre a necessidade de uma abordagem mais humana e inclusiva em relação às questões sociais. Em vez de ‘devolver’ pessoas em situação de vulnerabilidade, as cidades deveriam trabalhar para oferecer soluções que garantam dignidade e oportunidades de vida. A Defensoria Pública, por sua vez, desempenha um papel crucial na defesa dos direitos humanos e na garantia de que as vozes mais vulneráveis sejam ouvidas e respeitadas.

O que se espera agora é que a prefeitura de Florianópolis reconsidere sua postura e busque caminhos que promovam a inclusão social, em vez de perpetuar um ciclo de exclusão e discriminação. O diálogo e a colaboração entre as autoridades e as entidades de defesa dos direitos humanos são essenciais para encontrar soluções que beneficiem toda a comunidade.



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