Na COP30, Brasil anuncia iniciativa global para proteção de terras

Brasil Lança Iniciativa Global para Proteger Direitos Territoriais de Povos Tradicionais

Nesta última segunda-feira, dia 17, o Brasil deu um passo significativo no reconhecimento e proteção dos direitos territoriais de povos indígenas, afrodescendentes e comunidades tradicionais. Essa iniciativa global, que visa proteger um total de 160 milhões de hectares, conta com o apoio de 15 países, destacando a importância da colaboração internacional em questões ambientais e sociais.

O Compromisso Coletivo: Pledge 2.0

No mesmo dia do anúncio, um grupo de nações, incluindo Alemanha, Noruega, Holanda e Reino Unido, assim como 27 filantropias, renovaram seu compromisso com a causa por meio do Pledge 2.0. Esse novo acordo busca garantir um investimento de US$ 1,8 bilhão entre 2026 e 2030, com foco em direitos fundiários e proteção de florestas.

De acordo com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, essa iniciativa é um complemento e um reforço aos objetivos do Compromisso Intergovernamental sobre Posse da Terra, que faz parte da Parceria de Líderes para Florestas e Clima. A ministra ressaltou a importância dessas ações, afirmando que elas representam um momento político e financeiro crucial que apoia os verdadeiros guardiões da floresta.

Regularização e Proteção de Terras Indígenas

Como parte do compromisso assumido, o Brasil pretende regularizar e proteger até 2030, 63 milhões de hectares de terras indígenas e quilombolas. Isso inclui 4 milhões de hectares destinados a territórios quilombolas e 59 milhões a áreas indígenas, que estão atualmente em processo de destinação na câmara de áreas públicas. Essas iniciativas fazem parte do Plano Integrado de Implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Financiamento Direto e Poder Decisório

Os países envolvidos na iniciativa também se comprometeram a aumentar o financiamento direto de longo prazo e flexível, permitindo que as comunidades tenham poder decisório sobre a utilização dos recursos. Essa abordagem é fundamental para garantir que as comunidades afetadas possam participar ativamente das decisões que impactam seus territórios, em conformidade com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)

A ministra Guajajara também destacou que os novos compromissos são um passo importante para que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) cumpra sua missão de destinar, no mínimo, 20% dos pagamentos por serviços florestais diretamente aos povos indígenas e comunidades locais. Essa ação é crucial para garantir não só a preservação ambiental, mas também a justiça social e econômica para aqueles que vivem em harmonia com a natureza.

Reflexões Finais

Essa nova iniciativa do Brasil não é apenas uma resposta às crescentes preocupações ambientais, mas também um reconhecimento do papel vital que os povos indígenas desempenham na preservação das florestas e na luta contra as mudanças climáticas. Com o apoio internacional e uma abordagem que prioriza os direitos das comunidades, o Brasil se posiciona como um líder na proteção dos direitos territoriais e na promoção da justiça ambiental.

É essencial que essas promessas se tornem realidade e que as comunidades sejam verdadeiramente incluídas nas decisões que afetam suas vidas e seus territórios. O futuro das florestas tropicais e a saúde do nosso planeta dependem do respeito e da proteção dos direitos dos povos que as habitam.



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